Com Edirson citado na CP e Maísa Coutinho citada por Ladeia, escolha de secretariado de Romanhuk gera polêmica

LUCIANA MENOLI / Redação DS

 Na semana passada, um depoimento à Comissão Processante, que realiza as oitivas sobre o caso do ´Escândalo da Saúde´, gerou certo desconforto no governo municipal. Odair José da Silva Dias, presidente do Conselho Municipal de Saúde (CMS), que foi ouvido como testemunha pela CP na manhã do dia 21 último, afirmou que Edirson José de Oliveira, atual secretário de Administração da gestão de Miguel Romanhuk, seria uma das pessoas que teria feito ´pressão´ em servidores e em membros do CMS para que houvesse a aprovação da permanência da oscip Idheas na administração da saúde em Tangará da Serra.
Segundo o depoimento de Odair, registrado em ata, o ex-secretário de Saúde Mário Lemos, bem como a servidora Laura Pereira, que o acompanhava, o assessor jurídico da prefeitura, Dr. Gustavo Piola (ambos afastados pela Justiça), e Edirson José, na época no Controle Interno, teriam promovido um boicote a uma reunião convocada, no Sindicato dos Servidores Públicos Municipais, pelo promotor Antônio Moreira, a fim de ouvir os funcionários da saúde sobre a continuidade do Instituto. “… A gestão convocou os chefes das unidades (as enfermeiras) para determiná-las e que elas reproduzissem a informação para não comparecer a tal reunião citada, que dobrasse o encaminhamento do promotor e direcionasse à assessoria jurídica da prefeitura, para que eles tomassem providências”, relatou o presidente do CMS à CP.
Ele também contou que só ficou sabendo disso numa coincidência, ao passar pela Secretaria de Saúde e estarem lá reunidos todos os citados acima. “Ficando o tempo todo lá, vi, de forma bem categórica, que todas as pessoas acima reafirmavam a permanência da oscip Idheas no município e, ao mesmo tempo, pediam para que os mesmos não comparecessem na reunião citada. Eu entendo isso como pressão”, completou, dizendo ainda que uma servidora contratada que fazia parte do Conselho e fora contra a permanência, pouco depois teria sido demitida.
Neste contexto, envolvendo um secretário recém-colocado e que havia sido secretário da Fazenda do governo Ladeia, logo após Martinho Filho ser exonerado, completa o rol das polêmicas a indecisão quanto à manutenção de Maísa Coutinho (ou não) na pasta da Indústria, Comércio e Serviços. O prefeito afastado Júlio César Ladeia, teria dito, em entrevista a um meio de comunicação, que grande parte das 27 denúncias que deram origem à terceira Comissão Especial de Inquérito eram de responsabilidade de Coutinho. Ao mesmo tempo, empresários e religiosos pediram a manutenção da secretária no cargo, onde Romanhuk teria respondido afirmativamente, porém, exonerada desde o dia 13, até hoje se encontra afastada e sem saber de seu destino no governo.
A dispensa de Maísa, bem como a troca do secretário de Administração, tendo nomeado Edirson, fazem parte das mudanças prometidas por Romanhuk logo que assumiu interinamente a administração municipal, onde teria afirmado, ao menos inicialmente, que trocaria todo o primeiro e segundo escalões. Contudo, do governo Ladeia, ainda ficaram Welinton Duarte (Agricultura), Wellington Bezerra (Esportes), Junior Schleicher (Saúde) e o próprio Edirson José, que foi destituído do primeiro escalão quando Jaconias assumiu a prefeitura. Esta permanência de nomes tão ligados à gestão Ladeia na gestão do democrata e ferrenho opositor Romanhuk, principalmente com novas denúncias recaindo sobre alguns deles, tem gerado polêmica nos bastidores da política tangaraense, bem como dentro do próprio Democratas.
Romanhuk, sobre o caso da citação de seu secretário de Administração na CP, diz que será feita uma acareação entre Edirson e Odair, que Edirson será ouvido ainda esta semana na CP (como marcado em agenda) e que não se deve fazer prejulgamentos. “Não podemos prejulgar ninguém. Edirson nem era secretário na época, era apenas do Controle Interno, então, veremos o final deste processo para chegarmos às conclusões sem prejudicar ninguém”, asseverou o democrata.
No caso de Maísa Coutinho, no entanto, o prefeito em exercício diz que vai esperar as auditorias e sindicâncias serem concluídas para então emitir um parecer definitivo sobre sua permanência na Secretaria. “Se ela não tiver envolvimento, ela volta. Estou aguardando a finalização dessas auditorias, que estão sendo feitas em todas as secretarias municipais, para dar os próximos passos. Garanto que, caso comprove irregularidades, os autores não se manterão no cargo e tomarei as providências cabíveis”, finalizou o prefeito tangaraense em exercício, Miguel Romanhuk, em exclusiva ao DS.


VEREADORES TANGARAENSES VOTAM HOJE O RELATÓRIO DA CEI

Amauri Paulo Cervo - Vereador PMDB

É grande a expectativa da comunidade para com a apreciação e votação do Relatório da Comissão Especial de Inquérito, instituída pela Resolução nº 163/2011, de 14 de Fevereiro de 2011. Essa CEI apurou as denúncias de irregularidades na contratação da Oscip Idheas, que administrou o sistema de saúde pública do município.
Um grande número de populares é aguardado para a sessão, a exemplo do que já ocorreu quando os vereadores votaram o afastamento do Prefeito Municipal Júlio Ladeia. Para esta sessão, foram convocados sete suplentes: professor Quirino – DEM, Fabão – PSDB, Maria Aparecida Purcinelli (PR), Amauri Paulo Cervo (PMDB), Rosangela Pizico (PR), Geane do Progresso (PMDB) e Gilcélio Peres (PT).


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