CP da Saúde: Testemunhas sofrem intimidação de defensores dos réus

SERGIO ROBERTO / Redação DS

A pressão sobre as testemunhas que prestam depoimento tem sido fator de morosidade para os trabalhos da Comissão Processante que julga os agentes políticos envolvidos no Escândalo da Saúde. Ontem, somente uma oitiva perdurou por cerca de 10 horas.
O presidente do Conselho Municipal de Saúde, Odair José da Silva Dias, se apresentou por volta das 08h para a oitiva. Ao pôr do sol, Odair seguia em depoimento, sob perguntas principalmente dos advogados de defesa Mário de Sá e Giorgio Aguiar da Silva, defensores do prefeito afastado, Júlio César Ladeia.
Num determinado momento, a testemunha chegou a ouvir ameaças. Com o dedo indicador direito em riste a poucos centímetros do rosto de Odair, Mário de Sá interpelou o depoente sobre uma determinada passagem da oitiva. Sentindo-se ofendido e constrangido, Odair solicitou à CP que tal episódio fosse registrado em ata.
Segundo informações obtidas pelo DS, há grande possibilidade da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ser acionada para interpelar o defensor quanto à sua conduta diante de um cidadão que presta depoimento numa questão delicada como o procedimento oficial que ocorre no Legislativo e que tem grande interesse público.
O depoimento de Odair Dias foi centrado na ilegalidade da contratação da oscip Idheas, nos indícios de falsificação do contrato de prorrogação da parceria e em outros episódios do Escândalo da Saúde, como o esvaziamento de uma reunião do Conselho Municipal de Saúde que teria sido articulado pelo secretário Mário Lemos e pelo vice-prefeito José Jaconias.
O impacto negativo causado pelo depoimento de Odair Dias em relação à causa dos réus gerou manifestações de descontentamento de algumas pessoas ligadas ao prefeito afastado pela Justiça e acusado de ser o mentor do Escândalo da Saúde, Júlio César Ladeia (PR).
Numa das situações de constrangimento, o ex-superintendente de governo de Ladeia, Divimar João Martins – popular “Jacaré” -  acompanhava o depoimento e, numa manifestação de reprovação ao depoimento de Odair Dias, acabou entrando em breve discussão com a esposa do depoente.
“Deram de dedo, tentaram fazer de tudo para intimidar o Odair, mas ele seguiu firme e honrou a verdade”, disse a esposa do depoente, que não escondia a revolta com o tratamento dispensado ao marido pelos defensores contratados por Júlio César Ladeia e com outras situações, como a discussão com Jacaré.
SECRETÁRIO – Numa das passagens da oitiva, Odair chegou a citar pressão exercida por membros do Executivo à época em que a contratação do Idheas foi efetivada. “Recebi pressões do doutor Gustavo Piola e de Edirson José de Oliveira”, disse. Edirson, naquela ocasião, respondia pela Controladoria Interna da prefeitura.
Indagado pelo DS, o atual secretário municipal de Administração negou que tenha pressionado pela contratação do Idheas. Segundo Edirson, a contratação do instituto não passou pelo crivo da Controladoria, sendo uma decisão exclusiva e de inteira responsabilidade do prefeito Júlio César Ladeia e contando com aprovação da maioria dos vereadores (Celso Ferreira e Haroldo Lima (DEM), Celso Vieira (PP), e Genílson Kezomae e Paulo Porfírio, ambos do PR.
Edirson disse, ainda, que nunca foi favorável à parceria, tanto que participou da auditoria interna que apontou irregularidades na contratação.
SEQUÊNCIA – Após o depoimento de Odair, seguiram-se as oitivas de Juliana Herrero e do ex-secretário Mário Lemos de Almeida. Na sequência, estavam previstas as oitivas do assessor jurídico afastado da prefeitura, Gustavo Franco Piola, e o ex-secretário municipal de Administração Ériko Sandro Suares.
ORDEM PREVISTA – Quanto ao pedido de nulidade dos depoimentos solicitada pelos defensores dos réus, sob justificativa de erro na ordem das oitivas, o Decreto Lei 201/67, que embasa a CP, é claro em seu artigo 5º, Parágrafo III, prevendo a ordem dos depoimentos: “(…) Se a Comissão opinar pelo prosseguimento, o Presidente designará desde logo, o início da instrução, e determinará os atos, diligências e audiências que se fizerem necessários, para o depoimento do denunciado e inquirição das testemunhas”.


Novo prefeito ri de Ladeia e diz que pedido de prisão é desespero

Valérya Próspero – RD News

O vereador e prefeito em exercício de Tangará da Serra, Miguel Romanhuk (DEM), acha graça da atitude do prefeito afastado Júlio César Ladeia (PR) em pedir nessa quarta (20) sua prisão em flagrante. Ele acredita que essa foi uma medida de desespero e é inconstitucional. Ladeia, por meio de seu advogado, acusou Miguel de levantar falso testemunho pelo fato de preferir usufruir seu direito de permanecer calado sobre as denúncias de improbidade administrativa levantadas pela Comissão Especial de Investigação (CEI) na Câmara Municipal.

“Quando começou (a audiência) disseram que eu tinha o direito de permanecer calado e eu preferi não dizer nada. Essa é uma forma dele desviar a atenção. Eu entrei lá como testemunha e quase saí como réu. Isso é desespero. Se existe um culpado é ele mesmo”.

Um dos motivos que Miguel alega para não querer prestar os esclarecimentos é o fato de ter sido convocado como testemunha, sem saber se seria de defesa ou de acusação. Ele também pontua que na época era presidente da Câmara e procurou não interferir no trabalho da comissão presidida por João Batista Neru de Almeida, o João Negrão (PMDB), e relatada por José Pereira Filho, o Zé Pequeno (PT), por questão de imparcialidade.

Segundo o prefeito em exercício ele não vai mais ser chamado para falar sobre o assunto. Revela que acredita na competência e no preparo dos parlamentares que deram o parecer no relatório da Casa. “Se eu achasse que algo deveria ser dito eu o faria”.

Ladeia, seu vice José Jaconias (PT), e os vereadores Genilson Kezomae (PR), Haroldo Lima (DEM), Paulo Porfírio (PR) e Celso Ferreira (DEM), além do suplente Célso Roberto Vieira (PP) estão afastados dos cargos por serem acusados de improbidade administrativa, tráfico de influência e indícios de recebimento de propina para aprovar uma mensagem do Executivo que adequava a legislação municipal à contratação da Oscip Idheas. Ladeia foi ouvido na terça (19) pela comissão processante e negou qualquer crime. Jaconias se defendeu dizendo que apenas prorrogou os contratos firmados pelo republicano para não paralisar os serviços.


CP da Saúde indefere pedido da defesa de Ladeia para nulidade de depoimento

SERGIO ROBERTO / Redação DS

A Comissão Processante do Escândalo da Saúde indeferiu requerimento de nulidade de depoimento do vice-prefeito de Tangará da Serra, José Jaconias da Silva (PT), protocolado ainda na noite da última sexta-feira pela defesa do prefeito afastado Júlio César Ladeia (PR). A decisão da CP foi divulgada através de despacho datado de ontem e assinado pela presidente da comissão, Geane Rosemar Fernandes Rodrigues.
Pleiteada pelo advogado Giorgio Aguiar da Silva – um dos defensores de Júlio César Ladeia -, o pedido de nulidade está baseado no depoimento solitário de José Jaconias, que não contou com o apoio do seu defensor, Anilto Rodrigues Gomes Oliveira.

Porém, a CP citou o Decreto Lei 201/67, que em seu artigo 5º, inciso IV, onde consta que “o denunciado deverá ser intimado de todos os atos do processo, pessoalmente, ou na pessoa de seu procurador”, o que ocorreu na semana que antecedeu a série de depoimentos, através da notificação via correio eletrônico ao advogado de Jaconias, Anilto Oliveira. Assim, tanto José Jaconias quanto seu defensor estavam cientes da oitiva. “(…) o mesmo compareceu e foi devidamente intimado, portanto, o ato foi cumprido nos termos da legislação vigente”.
DEPOIMENTO – O mesmo decreto 201 e seus mesmos artigo e inciso serviram de embasamento para a CP indeferir o pedido de nova publicação de intimação do vereador afastado Haroldo Lima (DEM), cuja oitiva está marcada para hoje, a partir das 08h, no Plenário da Câmara Municipal.

Haroldo não compareceu à data marcada para o seu depoimento – sexta-feira passado, 15/07 – sob alegação de viagem. Assim, a oitiva de Haroldo foi remarcada para esta quarta-feira, dia 20.07, o que motivou contestação da defensora do vereador, Euliene Rosa, que exigiu o cumprimento do DL 201, que prevê a devida notificação aos réus.
No entanto, a notificação a Haroldo Lima da remarcação da sua oitiva para esta quarta-feira ocorreu ainda na sexta-feira, dia 15, com o anúncio da nova data, momento em que a própria advogada Euliene Rosa estava presente. Portanto, a CP argumenta que a notificação a Haroldo Lima ocorreu na pessoa do seu procurador, atendendo integralmente a legislação.


Após procurar o Gaeco, prefeito afastado não formaliza denúncia

Sissy Cambuim – RD News

Cerca de uma semana depois que a Câmara instaurou uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) e determinou o afastamento do então prefeito de Tangará da Serra, Júlio César Ladeia (PR), ele procurou, em 24 de maio, o Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) para protocolar uma representação que prometia desmascarar a origem das denúncias que pesavam sobre seu mandato.

Segundo o coordenador do Gaeco, o promotor Paulo Prado, que recebeu as denúncias do prefeito afastado, na ocasião foi pedido que Ladeia enumerasse as acusações e anexasse a elas as provas das denúncias que ele apresentou contra empresários do setor de comunicação e ex-servidores da prefeitura.

“Ele estava acompanhado de sua assessoria jurídica e me disse que em 72 horas traria a documentação para formalizar a denúncia, passaram-se mais de 30 dias e até agora não recebemos nada”, afirmou Prado em entrevista ao RDTV.

Prado conta que Ladeia narrou inúmeros fatos, mas que não apresentou nenhum documento que comprovasse as acusações, por isso o Gaeco ainda não abriu nenhuma investigação para apurar as denúncias feitas pelo prefeito afastado. Na ocasião, o republicano teria protocolado um calhamaço de documentos que comprovariam um suposto esquema de fraudes envolvendo a emissão de notas “calçadas” que teriam provocados prejuízos milionários ao erário.


Presidente da AMAM se reuniu com os magistrados da Comarca de Tangará

Clairton Weber – Da Redação

Agamenon Alcântara Moreno Junior – Presidente da AMAM

O Presidente da Associação Mato-grossense de Magistrados, Agamenon Alcântara Moreno Júnior, esteve em Tangará da Serra nesta quinta-feira (30/06). Ele veio ao município para se reunir com os magistrados que atuam na comarca, porém, num primeiro momento, recebeu a imprensa tangaraense nas dependências do Fórum, onde, em entrevista coletiva, respondeu a perguntas dos jornalistas e explicou os motivos da sua visita.

O magistrado ressaltou que a associação pretende encontrar e viabilizar maneiras de fazer com que a comunidade tenha mais informações a respeito do trabalho dos juízes, a rotina e a produção, no que se refere a apreciação e andamento dos processos. Dr. Agamenon Alcântara citou a insuficiência de magistrados e servidores nas Comarcas de Mato Grosso e garantiu que a AMAM, a exemplo da sociedade, também deseja celeridade e imparcialidade nas ações do Poder Judiciário.

Aparentemente a visita do Presidente da AMAM e a reunião com os magistrados da Comarca de Tangará da Serra está como algo normal, corriqueiro e que tem por objetivo apoiar os magistrados e verificar aspectos do Fórum e tudo que cerca as atividades do dia-a-dia.  Ocorre, contudo, que Tangará da Serra vive um momento extremamente delicado na esfera político-administrativa, onde o Prefeito Municipal, Júlio Ladeia, o Vice-prefeito, José Jaconias e quatro vereadores enfrentam na Câmara Municipal uma Comissão Parlamentar de Inquérito que pode levar a perda do mandato.

Processo semelhante tramita no Fórum da Comarca de Tangará da Serra. São ações de improbidade administrativa e uma suposta morosidade do judiciário já foi objeto de reclamação do Ministério Público. O Presidente da AMAM, Dr. Agamenon Alcântara Moreno Junior não se furtou a falar sobre o assunto. Explicou que essa ação tem particularidades que dificultam o andamento do processo, como, por exemplo, a notificação inicial de todos os envolvidos (neste caso são 23). Ele defendeu a atuação do magistrado que tem sob sua responsabilidade a apreciação desse processo e garantiu que a AMAM acompanha, desde o início o desenrolar dos fatos. Agamenon lembrou que a Corregedoria de Justiça esteve recentemente no Fórum da Comarca de Tangará da Serra verificando justamente a atuação dos magistrados e o andamento dos processos.


Parada na Justiça, ação de promotor contra Jaconias gera desgaste

Andréa Haddad, Enviada Especial a Tangará da Serra – RD News

Quase um ano e dois meses após propor uma ação por improbidade administrativa contra 23 pessoas, incluindo o prefeito afastado de Tangará da Serra, Júlio César Ladeia (PR), o vice em exercício, José Joconias (PT), quatro vereadores e um suplente, o promotor Antônio Moreira da Silva ainda não obteve uma resposta da Justiça. Enquanto a morosidade parece pairar sobre o Judiciário, Jaconias aproveita o retorno ao Executivo para assegurar a pré-candidatura a prefeito com a promessa de “botar ordem na casa”.

Carismático, o petista é ex-presidente da Câmara e em 2008 venceu a disputa interna do partido, contra o vereador Zé Pequeno (PT), para ser vice na chapa de Ladeia. Agora o único empecilho à candidatura parece ser o promotor Antônio Moreira, que insiste numa resposta à ação civil pública. Em duas ocasiões, em 29 de maio e 9 de junho deste ano, o representante do MPE já chegou a solicitar providências ao corregedor-geral de Justiça, Márcio Vidal, sobre a conduta do juiz da 4ª Vara Cível do município, Claudio Roberto Zeni Guimarães, que ainda não se manifestou sobre o pedido, em caráter liminar, de afastamento dos cargos, suspensão dos direitos políticos e indisponibilidade dos bens dos suspeitos para assegurar o ressarcimento de R$ 6 milhões aos cofres do município.

O montante é referente ao prejuízo gerado, em apenas seis meses, com a contratação da Oscip Idheas pela prefeitura, em 22 de setembro de 2009. Apesar do parecer contrário do promotor e da assessoria jurídica da Câmara, o termo de parceria foi efetivado por Ladeia com o aval de cinco vereadores. Jaconias foi incluído na ação sob acusação de ter renovado o termo de parceria no período de cinco meses em que comandou a prefeitura durante o tratamento de saúde de Ladeia, que ficou tetraplégico em decorrência de um acidente de carro na MT-010, conhecida como estrada da Guia.

Segundo o promotor, o petista contribuiu para aumentar o “rombo” prorrogar o termo com a Oscip sem o aval da Câmara, conforme determina a Legislação. “O Jaconias fez a prorrogação contratual, não tomando as medidas necessárias para impedir as improbidades, pelo contrário, até a medida teve mais gravidade. Em 6 de janeiro de 2010, vencia o contrato e uma das exigências para a prorrogação era ter a autorização do Legislativo”, aponta. Ao prestar esclarecimentos ao promotor, o então secretário municipal de Saúde, Mário Lemos, também acusou o petista de ter desarticulado uma reunião do Conselho Municipal de Saúde em que seria apreciado um pedido de prestação de contas ao Idheas. As declarações foram incluídas na ação. “Segundo o Mário Lemos, Jaconias foi responsável pelo boicote. Uma pessoa ligou para todos os conselheiros se fazendo passar pelo presidente do Conselho de Saúde, desmarcando a reunião”, relata o promotor.

O petista, por sua vez, reage às acusações e nega ter mandado desarticular o encontro. Ele garante não ter encontrado outra alternativa a não ser prorrogar o termo de parceria com o Idheas, já que ao assumir a cadeira de prefeito 90% do gerenciamento do setor estava nas mãos da Oscip. “Eu tinha que fazer funcionar a saúde da nossa cidade. Não houve dolo, nem má-fé, mas medidas administrativas acertadas”, defende. Ele frisa que solicitou, em 25 de fevereiro de 2010, auditoria interna em todos os procedimentos firmados pela prefeitura com o Idheas.

Jaconias também assegura ter respondido de imediato à investigação da Polícia Federal com o rompimento do termo de parceria em 7 de abril do mesmo ano, data em que foi deflagrada a Operação Hygheia para apurar indícios de irregularidades nos contratos firmados pela Oscip com prefeituras do país.

RDTV de Tangará – vereadores reagem; MP reforça acusações


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